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Cruzeiro, um campeão incontestável

Antes do início do Brasileirão, Atlético-MGCorinthians e Internacional eram apontados por muitos especialistas como favoritos ao título. Ao melhor estilo mineiro, o Cruzeiro foi comendo pelas beiradas e merecidamente é o Campeão Brasileiro de 2013. Mesmo que a matemática ainda insista em dizer que não.

No próximo domingo, quem sabe a matemática se renda aos encantos desse time do Cruzeiro. Basta vencer o Grêmio no Mineirão e o Atlético-PR tropeçar em casa diante do São Paulo. Assim, o clube seria o campeão com a maior antecedência (cinco rodadas) e o único a ganhar de todos os seus adversários, um fato inédito na história dos pontos corridos.

Marcelo Oliveira é o principal responsável pela conquista. Chegou sob a desconfiança de boa parte da torcida, especialmente por suas “raízes” atleticanas (foi jogador e treinador das categorias de base do Galo). Montou um time novo, que nada fez lembrar os “Cruzeiros” dos últimos anos. Foi um cala-a-boca aos críticos que garantiam que um time recém-formado não seria campeão dos pontos corridos. O Cruzeiro era um time pra 2014, afirmavam.

As 11 lições do Cruzeiro de Marcelo Oliveira.

1- A Casa: O Mineirão é a casa do Cruzeiro. De 2010 a 2012, a Raposa saiu de Belo Horizonte mas não se firmou em outros estádios. Nesse ano, perdeu apenas cinco pontos no Gigante da Pampulha (na ponta de baixo, o Náutico se complicou ao abrir mão de jogar nos Aflitos, onde teve a 4ª melhor campanha do Brasileirão de 2012).

2- A Torcida: a sinergia entre torcida e jogadores foi decisiva. O Cruzeiro tem a melhor média de público desse Brasileirão. Seedorf admitiu: “quando estávamos (Botafogo) brigando ponto a ponto pela 1ª posição, o Cruzeiro estava lotando o estádio todos os jogos, e nós não”.

3- O Banco: não se ganha um campeonato de 38 rodadas com 11 titulares. O Cruzeiro tem reservas de luxo que seriam titulares em muitos clubes do Brasil. Mayke, Henrique, Júlio Baptista, Dagoberto (ou Willian) são alguns exemplos.

4- A Raça: que a técnica é importante, não se discute. Mas não há cruzeirense que prefira a técnica de Diego Souza à versatilidade e raça de Ricardo Goulart. O esforçado atacante Willian que veio como moeda de troca na negociação de Diego Souza conquistou a torcida em pouco tempo, coisa que o talentoso meia não conseguiu durante todo o 1º semestre.

5- O Profissional: nunca duvide da idoneidade de um profissional. Não importa se Marcelo Oliveira é ou não atleticano. É um empregado do Cruzeiro e se dedica ao máximo ao clube.

6- O Simples: nada de volante como lateral, zagueiro de volante, armador de centroavante. Marcelo Oliveira faz o simples. Cada um na sua. É preciso de banco para isso, é claro!

Éverton Ribeiro em uma de suas arrancadas pelo Cruzeiro no Brasileirão 2013

Éverton Ribeiro em uma de suas arrancadas pelo Cruzeiro no Brasileirão 2013

7- O Craque: Éverton Ribeiro é o craque do Brasileirão. Assistências, gols (alguns golaços), arrancadas e dribles são parte de seu repertório. O meia cansou de quebrar as retrancas dos adversários.

E o mais impressionante: não sofreu com lesões e desfalcou o time em apenas uma rodada quando cumpriu suspensão automática diante do Santos no Mineirão. Coincidência ou não, em um dos dois jogos que o Cruzeiro perdeu pontos no estádio.

8- A Juventude: Lucas Silva (20) entrou no time e não saiu mais. Mayke (20), Élber (21), Alisson (20) e Vinícius Araújo (20) são outros garotos da base que tiveram suas oportunidades e corresponderam. Os jovens Dedé (25), Éverton Ribeiro (24) e Ricardo Goulart (22) contratados em 2013 são indispensáveis no esquema de Marcelo Oliveira.

9- A Experiência: Não menos importante, a experiência de Fábio (33), Ceará (33), Bruno Rodrigo (28), Egídio (27), Nilton (26), Willian (26) Dagoberto (30) e Borges (33).

10- O Paredão: Todo bom time começa por um bom goleiro. Fábio opera milagres e falha muito pouco. Sua regularidade só não conquistou os técnicos da seleção brasileira. Vai entender. Mas sem dúvida, é o maior merecedor desse título.

11- A Matemática: Jogar pelo empate fora de casa é abrir mão de dois pontos. Uma vitória e duas derrotas valem mais que três empates. O Cruzeiro venceu 8 dos 16 jogos como visitante. É o líder do Brasileirão também nesse quesito.

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Gabriel Godoy

Jornalista; frustrou-se na tentativa de ser um jogador profissional; peladeiro; apaixonado por futebol de campo, de rua, de botão, de vídeo-game...

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