Brazil v Japan: Group A - FIFA Confederations Cup Brazil 2013

Futebol e política

O Brasil vive um clima de efervescência política. Durante a Copa das Confederações, até mesmo os jogadores resolveram dar os seus pitacos sobre as manifestações populares. Hulk, por exemplo, disse que sentiu vontade de se juntar aos manifestantes. Juninho Pernambucano, atualmente no Nova York Red Bulls, clube dos Estados Unidos, sugeriu que antes dos jogos todos cantassem o hino de costas para a bandeira em sinal de protesto.

19_06_democracia_cor

Sócrates e a Democracia Corinthiana

Futebol e política já se relacionam há muito tempo. Entre 1982 e 1984, o Corinthians viveu a Democracia Corinthiana, movimento mais ideológico da história do futebol brasileiro. Idealizado por Sócrates, Casagrande, Wladimir e Zenon, previa que as decisões importantes como contratações, demissões e regras da concentração seriam decididas pela maioria.

O aspecto mais importante era que os votos dos jogadores, funcionários e presidente tinham o mesmo peso. Nesse período, o Timão estampava em suas camisas frases de cunho político, como “Dia 15 Vote”, convidando os cidadãos a votarem para governador, gerando desconforto entre os militares que comandavam o país e que pediram moderação nas mensagens.

No Uruguai, o Defensor foi um símbolo da resistência à ditadura. Em 1976, José Ricardo De León estava no comando técnico do clube. Dois anos antes, foi preterido como técnico da seleção por ser considerado um homem de esquerda. Seu irmão estava preso, assim como familiares de muitos outros jogadores que faziam parte da equipe.

Ir aos jogos do Defensor era também uma forma de contestação. No final da temporada, o clube foi campeão uruguaio, colocando fim à hegemonia de 44 anos da dupla Peñarol e Nacional. Na comemoração, o time deu a volta olímpica ao contrário, à esquerda, por decisão dos jogadores que encontravam ali um meio de expressão de liberdade.

Não podia ficar de fora dessa lista o FC Start. Em 1941, a cidade de Kiev, na Ucrânia, foi ocupada por tropas nazistas. Nikolai Trusevich foi goleiro do Dínamo de Kiev e, após ser libertado do Campo Darnitsa, campo transitório para prisioneiros de guerra, conseguiu emprego na padaria de Josef Kordik, torcedor fanático do antigo clube.

Não demorou para que patrão e empregado se juntassem em uma nova empreitada: Trusevich foi atrás de seus antigos companheiros e convenceu um a um de trabalhar na padaria. O goleiro reuniu sete jogadores do Dinamo de Kiev e três do Lokomotiv de Kiev. Nascia em 1942 o FC Start, com camisa vermelha e short branco. O clube realizou sete amistosos, com 100% de aproveitamento. A cada jogo, a torcida aumentava. Os nazistas, preocupados com o sucesso do novo clube, marcaram um amistoso contra o Flakelf, equipe da força aérea alemã que era usada como instrumento de propaganda de Hitler.

O FC Start não deu chances e goleou mais uma vez: 5×1. Hitler, obcecado em mostrar a “superioridade” ariana, marcou a revanche. O jogo teve cenário de guerra, com muitos soldados dentro e fora do estádio. Trusevich e seus companheiros saíram vitoriosos no 1º tempo, mas no intervalo, os nazistas ameaçaram os ucranianos de morte caso não entregassem a partida. Apesar da intimidação, o FC Start venceu por 5×3. Muitos jogadores foram torturados, outros foram mortos (inclusive, o padeiro). Trusevich antes de ser fuzilado, teria gritado: “o time de vermelho nunca vai morrer”. A história virou tema do filme “Match” (veja trailer abaixo – infelizmente sem tradução), que entrou em cartaz em 2012.

Categorias: Clubes / Fora das 4 linhasPágina inicial

Gabriel Godoy

Jornalista; frustrou-se na tentativa de ser um jogador profissional; peladeiro; apaixonado por futebol de campo, de rua, de botão, de vídeo-game...

Veja todos os posts de

Veja também: