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O bobo e o mago

O bobo, a alegria do povo  

Ele tinha um missão a cumprir aqui na Terra: levar a alegria a milhões de pessoas apaixonadas por futebol. E soube fazer isso como ninguém. Garrincha brincava de jogar bola. Era um bailarino em campo. Sua irresponsabilidade era uma de suas grandes virtudes.

Garrincha: a alegria do povo

Garrincha: a alegria do povo

O Anjo de Pernas Tortas encarava o pior e o melhor zagueiro do mundo da mesma maneira. Para ele, todos eram ‘João’. No auge de sua inocência, chegou a afirmar que o Campeonato Carioca era mais difícil que a Copa do Mundo (foi bicampeão em 58 e 62). Reconhecia clubes adversários pela cor do uniforme.

Foi o maior driblador da história do futebol. Driblava sem a bola. Era o terror dos laterais esquerdos. Nilton Santos que o diga. Na primeira jogada em seu teste no Botafogo, Garrincha rolou a bola entre as pernas de Nilton Santos que pediu sua imediata contratação. “Melhor jogar com ele do que contra ele”, teria afirmado a Enciclopédia do Futebol.

Driblava com tanta facilidade que irritava até mesmo seus próprios técnicos. Nos anos 50, Zezé Moreira teria colocado uma cadeira como referência para Garrincha saber até onde conduzir e então fazer o cruzamento. Não adiantava. O ponta-direita aproximava-se da cadeira e rolava a bola entre suas pernas.

Garrincha driblou até mesmo o cartório. Há quem garanta que ele nasceu no dia 18 de outubro de 1933. Para outros, no dia 28. Ele só seria vencido pelo álcool. Morreu aos 49 anos após um final de carreira deplorável quando perambulou sem a magia dos anos de Botafogo e seleção brasileira.

O Mago da Arte – nasceu em 30 de outubro de 1960

Não existe na história do futebol mundial algum jogador mais idolatrado que Diego Maradona. Foi ídolo por onde passou. Conduziu a anfitriã seleção argentina a seu segundo título mundial. Por lá, fundaram a Igreja Maradoniana. É considerado um Dios. Para o sociólogo Eliseo Verón, Maradona reflete “as crenças e as necessidades coletivas de despossuídos, pobres e aqueles que precisam acreditar que Deus está próximo e assim identificar-se com Diego, como antes, com Evita (Perón)”.

A bola e a chuteira esquerda de Maradona eram íntimas. Uma não se desgrudava da outra. “El Pibe” driblava em velocidade mas com a bola grudada em seus pés. Graças a esse talento incomum marcou “El Gol del Siglo”, na partida entre Argentina e Inglaterra pela Copa do Mundo de 86. No mesmo jogo marcou um gol de mão. “La mano de Dios”, segundo o próprio jogador definiu.

Veja a animação stop motion do “El Gol del Siglo”

Maradona era daqueles raríssimos gênios que não precisava de outros craques para se destacar. Muito pelo contrário. Ele carregava times modestos.  Com o Napoli, por exemplo, conquistou os inéditos títulos do Campeonato Italiano de 87 e 90 e da Copa UEFA de 89.

Fora de campo Maradona também não foi um exemplo de atleta. Foi pego mais de uma vez nos exames antidoping pelo uso de cocaína e efedrina (substância usada para emagrecer). Seu final de carreira esteve longe de ser tão glorioso como daqueles anos que o eternizaram como um dos melhores jogadores de todos os tempos.

Conheça os 10 mandamentos da Igreja Maradoniana.

Maradona ganhou até Igreja na Argentina

Maradona ganhou até Igreja na Argentina

1 – Amar o futebol acima de todas as coisas
2 – Declarar amor incondicional a Diego e ao futebol
3 – Espalhar os milagres de Diego em todo o universo
4 – Não proclamar Diego em nome de um só clube
5 – A bola não será manchada (sobre problemas extra campo)
6 – Defender a camisa argentina e respeitar as pessoas
7 – Honrar os templos onde jogou e seus mantos sagrados
8 – Predicar os princípios da Igreja Maradoniana
9 – Levar Diego como segundo nome e colocar no filho
10 – Não ser cabeça de garrafa térmica (não ser mente fechada) e que a tartaruga não fuja (não ser lento) – frases usadas por Maradona

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Gabriel Godoy

Jornalista; frustrou-se na tentativa de ser um jogador profissional; peladeiro; apaixonado por futebol de campo, de rua, de botão, de vídeo-game...

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