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POLÍTICA FC – FUTEBOL, CINEMA E HISTÓRIA

Sai Copa entra Copa e o Brasil continua sua batalha fora das quatro linhas. Diante de toda a efervescência política em que o país se encontra, resgatamos a matéria do Blog do Futbox feita pelo jornalista Gabriel Godoy em 2 de junho de 2013, onde foram selecionados alguns episódios envolvendo política e futebol, no Brasil e no mundo.

Como essa relação nunca deixou de existir, atualizamos algumas partes do texto e inserimos novos links e imagens nessa reedição, além de tres preciosidades no final para quem gosta de cinema, história, política e futebol. Imperdíveis.

2013, mas poderia ser hoje

O Brasil vive um clima de efervescência política. Durante a Copa das Confederações, até mesmo os jogadores resolveram dar os seus pitacos sobre as manifestações populares. Hulk, por exemplo, disse que sentiu vontade de se juntar aos manifestantes. Juninho Pernambucano, (na época) no New York Red Bulls, clube dos Estados Unidos, sugeriu que antes dos jogos todos cantassem o hino de costas para a bandeira em sinal de protesto.

Previews Ahead of FIFA Confederations Cup Brazil 2013

Rio, 7 de junho de 2013: o espetáculo cada vez mais longe do artista.

Futebol e política já se relacionam há muito tempo. Entre 1982 e 1984, o Corinthians viveu a Democracia Corinthiana, movimento mais ideológico da história do futebol brasileiro. Idealizado por Sócrates, Casagrande, Wladimir e Zenon, previa que as decisões importantes como contratações, demissões e regras da concentração seriam decididas pela maioria. O aspecto mais importante era que os votos dos jogadores, funcionários e presidente tinham o mesmo peso. Nesse período, o Timão estampava em suas camisas frases de cunho político, como “Dia 15 Vote”, convidando os cidadãos a votarem para governador, gerando desconforto entre os militares que comandavam o país e que pediram moderação nas mensagens.

socrates

Sócrates e o logo “Democracia Corinthiana”. (ilustração Futbox)

Democracia-Corinthiana

15 de novembro de 1982: camisa do Timão “Dia 15 Vote”.

No Uruguai, o Defensor Sporting Club foi um símbolo da resistência à ditadura. Em 1976, José Ricardo De León estava no comando técnico do clube. Dois anos antes, foi preterido como técnico da seleção por ser considerado um homem de esquerda. Seu irmão estava preso, assim como familiares de muitos outros jogadores que faziam parte da equipe.

Ir aos jogos do Defensor era também uma forma de contestação. No final da temporada, o clube foi campeão uruguaio, colocando fim à hegemonia de 44 anos da dupla Peñarol e Nacional. Na comemoração, o time deu a volta olímpica ao contrário, da esquerda para a direita, por decisão dos jogadores que encontravam ali um meio de expressão de liberdade.

Defensor SC

Defensor SC (La Violeta), campeão uruguaio de 1976.

Não podia ficar de fora dessa lista o FC Start. Em 1941, a cidade de Kiev, na Ucrânia, foi ocupada por tropas nazistas. Nikolai Trusevich foi goleiro do Dínamo de Kiev e, após ser libertado do Campo Darnitsa, campo transitório para prisioneiros de guerra, conseguiu emprego na padaria de Josef Kordik, torcedor fanático do antigo clube.

Não demorou para que patrão e empregado se juntassem em uma nova empreitada: Trusevich foi atrás de seus antigos companheiros e convenceu um a um de trabalhar na padaria. O goleiro reuniu sete jogadores do Dinamo de Kiev e três do Lokomotiv de Kiev.

Nascia em 1942 o FC Start, com camisa vermelha e short branco. O clube realizou sete amistosos, com 100% de aproveitamento. A cada jogo, a torcida aumentava. Os nazistas, preocupados com o sucesso do novo clube, marcaram um amistoso contra o Flakelf, equipe da força aérea alemã que era usada como instrumento de propaganda de Hitler.

O FC Start não deu chances e goleou mais uma vez: 5×1. Hitler, obcecado em mostrar a “superioridade” ariana, marcou a revanche. O jogo teve cenário de guerra, com muitos soldados dentro e fora do estádio. Trusevich e seus companheiros saíram vitoriosos no 1º tempo, mas no intervalo, os nazistas ameaçaram os ucranianos de morte caso não entregassem a partida. Apesar da intimidação, o FC Start venceu por 5×3. Muitos jogadores foram torturados, outros foram mortos (inclusive, o padeiro). Trusevich antes de ser fuzilado, teria gritado: “o time de vermelho nunca vai morrer”.

Jogadores do FC Start.

Jogadores do FC Start.

A história virou tema de filmes como “Escape to Victory” (Fuga para a Vitória) de 1981, com direção de John Huston. No elenco astros do campo e das telas como Pelé, Osvaldo Ardiles, Bobby Moore, Sylvester Stallone (goleiro, vejam só) e Michael Caine. Outro filme, esse bem mais polêmico, foi o ucraniano “Mat4″ ou “Death Macth” (Jogo da Morte) que foi retirado do ar em 2012 às vésperas da Eurocopa. (Matérida da BBC sobre o filme “Mat4″ aqui).

fuga para a vitoria filme

Elenco de “Victory” (Fuga para a Vitória).

A paixão pelo futebol foi sempre motivo de muita atenção e porque não, preocupação, por parte dos políticos. Basta acessar o site da FIFA e constatar que não há nenhuma menção à Copa de Oro de 1980-81, ou Mundialito. Uma competição que foi promovida pelo governo militar do Uruguai, durante um período terrível para a população do país, mas mesmo assim contou com o aval da entidade. Hoje essa competição é motivo de constrangimento para os cartolas da FIFA, entretanto, faz parte da história do futebol e é motivo de orgulho para o torcedor uruguaio. (A matéria sobre o “Mundialito, a Copa que a FIFA escondeu” aqui).

Abaixo tres preciosidades do cinema sobre o futebol e a política em torno dos gramados:

• Documentário “Ser Campeão é Detalhe: Democracia Corinthiana”, de 2011. Direção de Gustavo Forti Leão e Caetano Biasi:

• Filme Victory completo (dublado):

• Filme “Mat4″ na íntegra. Infelizmente sem legendas, mas vale e muito a experiência:

O trailer e mais detalhes sobre o filme aqui.

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Fontes:

• Projeto Futbox
• Getty Imagens
• BBC
• Nostalgia FC
• UOL Esporte

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Adriano Ávila

A prova inquestionável que existe vida inteligente fora da Terra é que eles nunca tentaram contato com a gente.

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