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Professor Seedorf

O jogador Seedorf aposentou. Com certeza deixará saudades, não apenas para os botafoguenses, mas para todos os apaixonados por futebol. O craque que nasceu em Suriname e se nacionalizou holandês foi dono de uma habilidade rara e nem por isso se deixou vislumbrar. Sempre foi exemplo de atleta, dentro e fora das quatro linhas.

Seedorf não é da gandaia, não bebe e não fuma. É do tipo de jogador que leva a esposa para o camarote do sambódromo mesmo sabendo das Marias Chuteiras que poderia arrumar por lá. Quando calça as chuteiras, não é do tipo preguiçoso. Marca, arranca, movimenta, cobra lateral, escanteio, falta… Um reflexo do seu comportamento fora de campo e da dedicação nos treinos.

Seedorf também era do tipo curioso. Conversava com fisiologista, nutricionista, médicos. Tudo para saber o que podia ajudá-lo ou atrapalhá-lo como atleta. Conversava com presidente e também com os jogadores mais jovens. É um espelho para a molecada. Às vezes, era até chato! Uma rusga daqui, outra acolá, mas todos queriam novos conselhos do “paizão”.

Pelo Brasileirão 2013, o Botafogo venceu o Vitória por 2×0, no Maracanã. Com assistência do holandês, o jovem Vitinho abriu o placar. Na saída para o intervalo, os jornalistas cercaram o artilheiro. Seedorf correu e impediu a entrevista. Caminhou com o companheiro até o vestiário. Depois explicou: “O Vitinho precisa manter mais a concentração, não é para todo mundo ficar falando depois do 1º tempo, tem que manter o foco. Falei para ele festejar, mas pensar primeiro nos três pontos, depois fala com todo mundo”.

Seedorf deixa o Botafogo na Libertadores após 18 anos e com um título carioca. Mas sem dúvidas, sua maior herança continua fincada nas raízes de General Severiano: o exemplo de atleta.

Seedorf: exemplo dentro e fora de campo

Seedorf: exemplo dentro e fora de campo

 

Coincidência ou não, Seedorf pendurou as chuteiras no dia 14 de janeiro, o dia do treinador de futebol. E esse será seu próximo desafio. E logo no Milan, onde se tornou ídolo graças a suas atuações entre 2002 e 2012. Já chega revolucionando. Será oficialmente, o primeiro treinador negro de um clube da Série A do futebol italiano (nos anos 90, o brasileiro Jarbas Faustinho, vulgo Cané, foi técnico do Napoli, mas como suplente).

Antes de se apresentar como técnico do Milan, Seedorf deu palestra aos jogadores da base do Botafogo e fez um estágio de um dia no Nova Iguaçu. Quem viu, conta que o holandês é paciente, sabe ouvir, tem visão e bom senso de organização. Vejo em Seedorf, um estilo Telê Santana. Daquele que palpita e aconselha na vida pessoal do jogador. Daquele que nos treinos insiste nos fundamentos básicos do futebol. Daquele que será um “paizão” para os seus comandados.

Buona Fortuna, Seedorf. O futebol torce por você!

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Gabriel Godoy

Jornalista; frustrou-se na tentativa de ser um jogador profissional; peladeiro; apaixonado por futebol de campo, de rua, de botão, de vídeo-game...

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