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Top 5 Curiosidades da Copa do Mundo de 1938

A Copa do Mundo extrapola a esfera do campo, das quatro linhas. Questões políticas, sociais, econômicas e até artísticas, inevitavelmente, se misturam ao futebol.

Duvida? Confira no Top 5 Curiosidades da Copa do Mundo de 1938. Veja também, os posts com as Copas do Mundo de 1930 e 1934.

 

1) País-sede, país-natal

O presidente da FIFA Jules Rimet foi talvez o principal idealizador da Copa do Mundo. Seu nome, inclusive, ficou eternizado na taça entregue aos campeões mundiais de 1930 a 1970 (até 1946, o troféu era conhecido como “Taça Vitória das Asas de Ouro”).

A Alemanha, que recebeu as Olimpíadas de 36, pleiteava sediar a Copa do Mundo de 38. A Argentina também se candidatou – pensava que a FIFA ia seguir o revezamento entre os continentes: América do Sul 1930, Europa 1934. Mas o francês Jules Rimet queria a Copa em seu país-natal. Pensou até mesmo em antecipar o torneio para 1937, simultaneamente à exposição de arte moderna.

A ideia de mudar o ano foi descartada. Mas, com 19 votos, a França foi eleita a sede da Copa do Mundo de 1938. A Argentina teve três votos e a Alemanha apenas um (o dela mesmo).

 

2) Seleção inativa

O Brasil foi eliminado logo no 1º jogo da Copa do Mundo de 34. Depois excursionou pela Europa e fez amistosos contra clubes do Velho Continente. Quando voltou ao país, a seleção ficou ociosa.

A Argentina, insatisfeita por não ter sido escolhida como sede, decidiu boicotar o Mundial. Todos os países sul-americanos aderiram ao boicote e o Brasil não precisou disputar as Eliminatórias.

Sendo assim, de 1935 a 1937, a seleção fez apenas três partidas. Um amistoso contra o River Plate (2×1 Brasil) e dois jogos pelo Sul-Americano, com vitória de 3×2 sobre o Peru e derrota por 2×0 para a Argentina.

Obs: apesar do tempo inativo, o Brasil fez um bom papel na Copa do Mundo de 1938, terminando em 3º lugar. Nas oitavas-de-final, a seleção venceu a Polônia por incríveis 6×5. O 5º gol brasileiro foi formado por Leônidas da Silva. Um gol de pelada. O pé-direito de sua chuteira havia estragado e enquanto consertavam a costura, o atacante, descalço, fuzilou a rede do goleiro polonês. O próprio Leônidas conta essa história.

 

3) Meia-lua e nova bola

A Copa do Mundo de 1938 trazia duas grandes novidades. Os gramados passaram a demarcar a meia-lua à frente da grande área, artifício para manter os jogadores a 9,15m da marca do pênalti.

Outra inovação foi a bola sem o tiento externo – uma tira de couro que amarrava dentro do corpo da bola, o bico para enchê-la. O bico da bola passou a ser encaixado entre os gomos e a ausência do tiento permitia ao jogador cabecear a bola sem se machucar.

 

4) Nazismo

Na iminência da II Guerra Mundial, a Europa vivia um clima de tensão política. A Áustria que havia se classificado para a Copa do Mundo foi anexada à Alemanha às vésperas da estreia e por isso, a Suécia se classificou automaticamente às quartas-de-final. Esse é até hoje, o único W.O. na história das Copas.

Antes dos jogos das oitavas-de-final (houve um jogo-desempate), jogadores alemães fizeram gestos fascistas e foram vaiados pela torcida que compareceu ao Estádio Parc de Princes, em Paris. A Alemanha foi eliminada, mas o cheiro de guerra estava no ar.

 

Itália homenageia o fascismo - Copa de 38

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5) Azurra de preto 

Benito Mussolini, ditador italiano, havia mandado um telegrama bem direto à seleção nacional: “vencer ou morrer”.

Nas quartas-de-final, a pressionada Itália encontrou a França pelo caminho. Os anfitriões usavam camisas azuis, obrigando a “Azurra” a abandonar sua cor tradicional.

Os italianos aproveitaram a oportunidade para fazer uma “média” com Mussolini e entraram em campo trajados com um uniforme preto, a cor do fascismo.

 

Fonte: O mundo das Copas, de Lycio Vellozo Ribas

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Gabriel Godoy

Jornalista; frustrou-se na tentativa de ser um jogador profissional; peladeiro; apaixonado por futebol de campo, de rua, de botão, de vídeo-game...

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